ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

domingo, 4 de julho de 2010

~.~

Eu gosto desse fundo azul. Por isso voltei.

Eutanásia Não É o Nome

A tela do computador só mostrava aquelas formas esquisitas, entrando e saindo em si mesmas, como se fosse um órgão funcionando bem que de repente entra em pane. Os velhos fones chatos nem pesam mais nos ouvidos, adaptam-se antes de tocá-los. O pedaço de cabelo rebelde teima em cair no olho só pra, em certo momento, deixar de teimar e fazer com que indicador faça cócegas na testa até que o cacho desça de novo e recomece a brincadeira de enrolá-lo até tornar-se negro-azul.
Sabia que essa música ia ser boa. Olha só esse nome. Jamais desapontaria, é demasiado inspirador. E ninguém lhe fala o que fazer, nem lhe conta sobre desventuras, ou relata algum amor além de qualquer expectativa. Instrumental entorpece, desta vez, de forma benvinda.
A sensação de que as sinapses tornam-se mais lentas voltou. O cheiro do café_que não fica pronto nunca_ajuda. Não botou água de propósito, vai quebrar a cafeteira. Pro diabo com o manter-se-acordado pra sempre até a próxima quinta. Nunca vai dar conta de tudo. E agora, pra piorar, falam. Ali ao lado, num idioma que só não é completamente novo, porque é o que sempre falou em vida.
A explosão da canção que segue provoca sérios sangramentos do globo ocular esquerdo. Vai explodir. Não se pode desligar os aparelhos. Aperte o pause para ver o que acontece e a mãe chega para dar bronca, não mexe assim no brinquedo do coleguinha.
Do umbigo notam-se movimentos inesperados. A anestesia vai fazer efeito. A múmia levanta, não é paciente agora que a canção é de amor. Chega, vai, dá um fim nisso. Sua música não vai salvar ninguém.

Special thanks to The Slackers.

domingo, 13 de junho de 2010

Amanhã Já Não Sei

Começo em primeira pessoa pelo que espero ser_ e não será_ a última vez. Pra dizer que premedito minha morte. Quero uma despedida, um funeral. Neste testamento simples deixo minhas últimas sílabas ao Anônimo, apesar de minha dor no coração, por saber que devo tanto a outros. Mas que se dane, são minhas, deixo pra quem eu quiser.
É isso, são pra você, minhas últimas palavras. Calou-se tanto que me fez calar também.





Imbecil.

domingo, 6 de junho de 2010

Antes de tudo havia o Caos

_Não escuta, você não vai entender!

Pegou o telefone, entrou no quarto, bateu a porta, que ficou sacudindo, como se dela fosse surgir um pedido desculpas; era muita falta de educação.

Meia hora depois:

_Tô saindo, não me liga! Não sei a que horas volto, não sei se volto. Eu te amo.

Uma fração de segundo depois:

_Que que vai ter pra janta?

Uma hesitação depois:

_Não, deixa, não me espera.

O tempo de um cigarro ser degustado depois:

_Olha, eu vou chegar tarde, você pode dormir. Sério mesmo.

A morte de uma formiga que passeava pela parede da sala depois:

_Vem cá, aquela lâmpada que queimou, você trocou?

Uma espiadela casa adentro depois:

_Quer que eu troque? Acho que dá tempo.

Um clique no interruptor depois:

_Ah, olha a luz aí. Deixa, então.

Uma pausa desconfortável depois. Uma coçada na testa. Uma menção de pegar o maço dos cigarros. Uma desistência; pegou o isqueiro, ficou brincando de acender e apagar.

_Bem que podia ter um sofá aqui.

Um arrependimento depois:

_Não, eu prefiro assim. Só falei isso porque queria me tacar num sofá agora. Mas deixa, eu gosto mesmo disso aqui; essa sala, como tá.

Uma pausa vazia depois:

_Sabe, faz tanto tem...Não, mentira, esquece.

Um momento de espectativa muda depois:

_Tá bem. Eu vou agora.

A maior espera do mundo contida em meio segundo depois:

_É, é isso. Tchau.

Exatos quarenta e dois minutos de puro arrependimento, autodepreciação mental, fumaça engolida, sensação de que falta algo e olhos ressecados depois:

_Voltei.

A porta_ a mesma que antes batera, frisando que queria estar só_ agora lhe sorria com escárnio. Bateu.

_Eu precisava disso, entende? Só um tempinho. (umalgoqualquermuitocurtodepois:) Já passou.

Abria-se a vedação, sem que a maçaneta precisasse girar e o cômodo lhe sorria; não estava mais só.

Um passo de pessoa adulta e não muito grande depois:

_Às vezes eu sou tão eu que me divido em dois.

A sensação dos corpos depois:

{}

Abraços são silenciosos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Oi, Kafka

Já conhecia aquele barulho. Era o vento soprando janela adentro, fazendo a persiana balançar. Foram tantas noites sem dormir por causa de tal som, acreditando serem asas de inseto gigante, que agora, desvendado o mistério, mal o percebia.
“Vem chuva por aí”, pensou. O barulho agora aumentara, o vento era forte. Foi então que notou que na varanda não corria uma brisa sequer. Achou encantador o poder da natureza: de um lado da casa (no quarto) esperava-se grande tempestade; do outro (a varanda), o céu aberto.
E assim continuou o que estava fazendo. Até que a luz se foi. Era cedo ainda, mas mesmo assim amaldiçoou o vento, por fazer estragos na rede elétrica. Seguiu-se a isso o barulho de passos. Na verdade não eram passos, eram como contas caindo no assoalho e fazendo ‘tec tec tec’, porém com intervalos de tempo que a fizeram remeter a passadas lentas.


(Há tanto tempo no meu desktop que cansei, tive preguiça de terminar. Estragando a surpresa de uma suposta continuação: ia aparecer um inseto gigante que conversaria com o personagem principal, falaria umas bobagens sobre medos e sujeira e o jantar do dia anterior. Metamorfose pra vocês.)

domingo, 23 de maio de 2010

Para o Caio

* "Para o Caio" soou diferente do que eu queria; parece que estou mandando alguém pará-lo e, definitivamente, não é isso o que eu quero. Eu tô é dedicando esse texto a ele (visto que me perdi em meio a duas histórias e agora não tô escrevendo mais livro nenhum, tão lá guardados, esperando não-sei-o-quê).


As coisas velhas vão ser sempre novidade enquanto você conhecer gente nova. Eu ia me aconselhar desta frase, mas li seu texto no intervalo entre pensar e escrever e acreditei que também te serviria bem. Se não servir, tome como uma frasezinha sem valor para a coleção.

A verdade é que não consegui comentar lá no teu blog. Estranho. Espero que você não tenha me bloqueado ou algo assim.

E o texto está absurdamente bom, até compensou a falta do título comumente genial que você põe, eu perdoei.

Te daria férias, se pudesse, te daria uma Lomo AGORA se tivesse dinheiro.
E tenho mais coisas pra falar, inclusive que não vou mais sair, porque tô com febre, mas isso é besteira, não vem ao caso.

Mande abraços para Tom, Harry, Dumby, Gaga e quem mais quiser. Abraços sempre vêm a calhar.

P.S.: Nós vamos te arrastar pro Circo. Com nariz de Palhaço.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Porra, eu!

Para quem anda com o pé: asas.
Clichezão, mas ninguém escuta. Topa aí, quero ver.

Te vi andando na rua e senti um calafrio; quando éramos nós dois não havia mãos dadas. Tinha o eterno sorrisinho de canto de boca, o assovio constante, mas mãos dadas, nunca. E por um tempo me fiz triste, quis fugir, esconder. Só que era tudo fingimento, eu estou bem. Acho que você também. Que bom que não me viu. Suspirei aliviada, não ia soltar a mão do meu namorado.