ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

domingo, 8 de agosto de 2010

Aconteceu na Cidade de Aqui e Agora

E todos sabiam um pouco de árabe. A língua era presente; sempre havia um cartão de aniversário com dizeres , ou um e outro email curto enviado nela. Não, acho que árabe não está na moda. A verdade é que ela foi inserida na sociedade por um velho sábio, que hoje em dia é motivo de risada das crianças, que nunca o entendem, sempre perguntam aos pais e avós ‘o que é um velho sábio, mesmo?’. Os pais nem sempre sabem o que responder, geralmente dizem que é uma espécie de mito ou entidade e que deve ser respeitado, mas sem muita convicção. Os avós, ah, os avós. Se enchem de nostalgia pra explicar, como foi, na sua época, receber tantas cartas em árabe. E notas fiscais e dedicatórias em livros e cartões e postais. Tudo em árabe.
Esse tal velho sábio estava decidido a introduzir o árabe em Aqui e Agora de qualquer maneira. Era dono da maior livraria da cidade, então fez como pôde para falar e escrever em árabe aos seus clientes; o que os fez procurar em livros por traduções. Em poucos anos, boa parte da população sabia a língua; alguns até falavam muito bem. E ela se fez presente.
Porém, as crianças não tinham muita noção de árabe, seus avós nunca sabiam se deviam ou não passá-lo adiante e seus pais, bem, seus pais eram crianças quando tudo isso aconteceu, ou seja, alguns falam em árabe com os filhos, outros não. E isso diminuiu a quantidade de sábios de árabe em Aqui e Agora. O velho sábio nunca foi o mesmo. Nem nunca será. A menos que.

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