ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pão e Circo

Eu tenho uma ideia para uma foto que já é bem antiga. Tão velha que vem de antes de eu aprender o pouco que aprendi sobre fotografia e que agora já faz um tempo que parece bem distante. Tão idosa que vem da época em que eu só praticamente ouvia Mutantes, mais especificamente dois álbuns que são os mais geniais que já ouvi. Tão anciã que vem de antes de me proferirem as palavras mágicas que me obrigariam a consentir que um óbvio indesejado de fato se faz real: os mutantes não faziam música brasileira.
Eu tenho uma ideia para uma foto que tem a Central do Brasil, um homem de barba que sorri, cinco horas das tarde e uma melodia grudenta. Folhas de sonho e jardim, ao mesmo tempo, sobrepostos na impressão, à meia luz. Havia também um punhal, que usei para matar o homem e me fez ficar sem foto, me fez esquecer dos mutantes, me fez odiar dias muito iluminados.
Eu tenho uma ideia para uma foto da qual me lembro às vezes, em manhãs especialmente iluminadas de sol, ou quando vou ao zoológico. Mas acordo ao meio dia e o funcionamento da Quinta da Boa Vista bate com meu horário de trabalho.
Hoje eu vi navios no ar enquanto sonambulava pelo Flamengo e tive uma ideia para uma foto que achei genial, mas então lembrei que havia matado meu amor um pouco antes de ter começado a gostar de Mutantes.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Account Temporarily Unavailable

Meu Facebook saiu do ar há mais de vinte e quatro horas, não sei o que fazer. Venho escrevendo aleatoriedades chatas desde então.

Câmbio, desligo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sobre o Dia em que Sequestramos duas Pessoas

Veneno não era, talvez fosse apenas o que diziam que era, talvez fosse água da pia, que também se pode locar numa categoria de veneno, talvez fosse a melhor coisa que beberiam em suas vidas. Tomou um gole, ela primeiro, porque nem ao menos pensara em qualquer possibilidade, talvez nem quisesse água, apenas disse que queria para não discordar de alguma frase que não ouvira enquanto devaneava. Depois bebeu ele, devagar, com receio, hesitando a cada gole. Era água.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pros amigos

Meu cérebro está derretido. Permanentemente danificado. Não se sabe ao certo quanto tempo humano foi necessário para que essas frases fossem formuladas e penosamente escritas. Eu morri todos os dias em que pensei que poderia estar viva.


E viva a depressão pós-festa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Festa de Família

Ceia de Natal, aquele momento pós, em que todos abrem um botão da calça e agradecem a Deus pelos cientistas da ilha da Sadia, que vivem para engordar Chesters o ano todo. Você e seu pai discutindo sobre EUA e Inglaterra. Na verdade é uma disputa, pra ver quem é melhor. Você aparentemente vai ganhando, com o homem pisando na Lua e, mesmo com Beatles e Rolling Stones, nada supera a Apple. Até que seu irmão, voltando do coma por overdose alimentar, arrota:

_Mas os ingleses inventaram o futebol.

GAME OVER

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SENHORAS E SENHORES

SENHORAS E SENHORES,

VENHAM,

VENHAM VER O

EXTRAORDINÁRIO,

ESPETACULAR,

ESPLÊNDIDO,

ESTUPEENDOOO,

ESTARRECEDOOORRR

SUUUUPER INSEEETOOOOOOOO!




Subindo a minha perna.
Ontem e hoje.
É o mundo se acabando. De verdade.




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Todos os Blogs

Em um dia perfeito para os peixes-banana, arrependi-me do que escrevo, vi que o paraíso era uma biblioteca de versos patéticos. As boas razões é que conjugavam-me. Percebi que se dependesse do LSD com torrada, ASA NISI MASA, tudo estaria perdido. Veio a mim a gratuidade da misantropia poética: o poeta apontava a lua e o imbecil olhava o dedo.

Atrás de casa passavam-se as cenas da vida, sua improbabilidade infinita, seus pequenos despropósitos. Desatei a fazer escritelas a partir das cores do simples, devaneando por essa coisa aí que eu chamo de...lacônico contraditório.

Graptós, a escrita em língua antiga. Absorvida e então guardada num baú de entulho em tons de vermelho. Assim vejo nós dois, outra vez, impelidos pela borrasca, subjugados pelo complexo alpha, somos cegos às avessas na casa de Yami.

Eu sou a boneca inflável, tomada pelo recorrente medo do receio em si e da pós modernidade, sou filha do Batman, rodopiando.