ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

não sou Mário de Andrade

Versos livres não me correm pelas veias;
são livres, podem ficar onde quiserem.
Saem-me pelos cabelos
escorrem-me na altura dos joelhos
explodem-me o umbigo
mas até aí não me importa.

Aguento até que me ceguem os olhos
me atem as mãos
me entupam a aorta.
Nada disso me afeta.

Queria mesmo que chegassem ao hipotálamo
e lá ficassem, por vontade própria
afinal, se são livres, que me libertem.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Não sei ser Dadá

Morta porta torta. De chocolate com avelã.
Horta vorta corta. O dedo indicador da mão direita.
Idiota calota bota. De Papai Noel.
Mandioca ibitipoca carioca. Pegando chuva.
Embalsamado careado fuzilado. Que nem queijo suísso.
Carregado encaixotado errado. Todo.
Cremoso tortuoso embaraçoso. Que nem cabelo.
Vinil fuzil anil. Bala de.
Mímica típica tônica. Água.
Malvisto poristo desisto. Disto.

domingo, 7 de junho de 2009

se o bolo de banana parece cancerígeno;

batatas fritas frias e coca cola no café da manhã podem mudar sua concepção de mundo.

é só um comentário.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Personagem

Bom mesmo é ser personagem. Alguém te percebe as ações e reações, te cuida com todo o carinho, te cria. Alguém te escreve. Tudo bem que esse mesmo alguém te põe palavras na boca como se fossem suas, achando que tem todo o direito. Você mastiga tudinho e depois bota pra fora. E ainda leva a culpa se desagrada alguém, afinal, foi você quem disse, da forma que disse. Mas no fundo sabe que a culpa é de quem te fez, que te criou assim, desbocado. Que não sabe a hora certa pra falar nada. Nem pra fazer. Na verdade, você não sabe nada. Você é o seu autor. Você é o seu leitor. O seu interlocutor. Seu escutador. Seu sentidor. Você é tudo, menos você mesmo. Maravilhoso ser personagem. Tão cheio de ideias, mas na verdade livre delas, livre de qualquer responsabilidade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Me perdi (e o pronome vai ficar onde está)

Queria morrer de amor. É poético, ao menos. As pessoas diriam assim: "olha, aquela menina morreu de amor; que bonito". Mas não dirão; o mais provável é que nem digam nada; tragédias sem amor não são tragédias. Serei comédia eterna. Comédia boba, pouco provável de risos sinceros, já que a comediante soa tão pouco autêntica.
A tal comediante nasceu pra fazer drama, mas não tem coragem pra tal ventura. Então passa os dias a vomitar emoções, de forma camuflada (achando que engana alguém), que não satisfazem nem a ela, nem ao público.
Até que um dia se dê conta de que amor mesmo sempre teve. E não morra. Relapsa que era (e ainda é) não notava nem cinquenta dançarinos de rumba debaixo de seu nariz (um pouco acima da boca. O espaço é pequeno, mas eles também são contorcionistas). Agora está livre, ama. Mas o amor é transitivo direto; quem ama, ama alguém. Então não é tão livre assim. Não se pode amar simplesmente, tem de haver um complemento. Complemento esse muito complicado, nem sempre corresponde. E não pode ser indireto, não podem haver dúvidas, o que acaba tornando-o indigesto. No fim das contas morrer de amor acaba virando uma piada que todos cometem. A cada hora, a cada vida, a cada intervalo entre um espetáculo e outro, para que nem dê tempo dos atores tomarem uma água. A cada vírgula o amor se torna mais virulento e se espalha, ataca, mata. E não te deixa morrer, agora que arrumou um sentido (mesmo que banal) pra vida.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Hemorragia de palavras ou Sobre o que eu não acredito

A Prolixidade, em busca de uma posição mais sintética, emudece. Extremista como só ela, não se contenta com o meio termo. Daí então, só se permite falar para si própria. E no meio desse falatório egoísta, encontra-se às voltas com sua infância, onde ainda não era prolixa, apenas chatinha, porém enquanto todas as outras características ainda eram tão pequenas, ela já se mostrava grande e desenvolvida demais para a idade. Depara-se com a paciência, velha conhecida. O que a pobre Prolixidade não sabia é que a antiga amiga a estimava por demais. Na verdade, sempre teve grande paixão por ela. Paixão esta que nunca foi revelada, pois a Paciência é tímida que só ela. A Paciência escuta sempre, raramente se expõe. Diferentemente da Prolixidade, que nunca é finita, tem sempre o que argumentar. Por isso a paixão. Uma crê que completa a outra e vice-versa. A pena é que a outra nunca soube de tal consideração. E agora, está muda; estão iguais, Prolixidade e Paciência. Não trocam palavras, apenas se olham. Até que a mais tímida e menos verborrágica toma a coragem que nunca teve e externa-se. A outra, ainda calada, sente-se exulta como nunca antes e descobre como pode ser gratificante ouvir e decide juntar-se à outra, por pura vaidade e egoísmo. E assim permanecem juntas, com suas naturezas postas à prova; trocam-se de significado.

segunda-feira, 30 de março de 2009

É só que...

Não quero que isso aqui fique vazio.

"Todo dia meu coração sai do lugar."