ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

domingo, 14 de novembro de 2010

Sem Dedicatória

É óbvio que eu li. Já disse isso pra alguém: eu leio tudo. Finjo que não, pra não causar constrangimentos, dores de cabeça, casos de amor platônico ao extremo etc.
Não comentei, nem pretendo comentar, para fazer sentido: amor não se grita.
Confesso que sou passível de mudar de ideia e estragar tudo. Foi Florbela que disse que gosta mesmo é do estrago? Porque essa frase não é só dos Hermanos, garanto. Na verdade, ela é minha, muito minha. Tanto que estou aqui, a dizer que não comento. Estou comentando.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como Não Morrer

Ontem ia escrever uma 'carta de despedida' aqui, porque, de tanto que meu pai falou pra eu ter cuidado ao trazer minha bicicleta pra casa (ela tava na casa de um amigo, do outro lado da Ilha), que comecei a acreditar que ia sofrer um acidente. Daqueles que o jornal gosta. Mas acabei indo ver alguma coisa que não me lembro na TV e só fui dormir às duas, meio zumbi já. Esqueci.
Acho que isso me deu sorte. Ou azar, visto que o que me aconteceu foi tão 'bothering' (desculpe, acho que esta é a palavra que melhor cabe aqui) que, de agora em diante, vou considerar mais um acidente.
É só.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mr. Cellophane

Da carteira velha e carcomida:

. na parte principal, dinheiro, né, dã;
. na segunda parte principal, coisas especiais. Dois Hipnótics (dá pra comprar um Sandy, quiçá um Júnior_esse dia foi sensacional), uma nota de um real que jamais gastarei ou venderei, nem quando custar dez reales, a seda de cereja que jamais fumarei, minha identidade da foto mais feia da minha vida e junto com ela o papelzinho dizendo que eu votei no segundo turno da eleição, meu título de eleitora que esqueci de guardar na gaveta (não tem porquê ficar andando com isso na carteira), a carteirinha do bandejão da UFF dentro da capa da minha antiga carteirinha do Pedro II, o cartãozinho da yoggofresh (aliás, ganhei um yogurte grátis), porque sou dessas, um cine-passe do CCBB vencido há um tempinho;
. no esconderijo do lado esquerdo, o pacotinho de sedas que nunca acaba;
. no esconderijo do lado direito, o cartão com o telefone da minha ginecologista_como se eu nem tivesse ele gravado no celular;
. na parte de cartões, adivinhe só, cartões! o da Unimed, o do Itaú, o Riocard, o Bilhete Único, que agora serão mais bem guardados em seu novo lugar;
. na parte transparente, o número meu CPF e de alguma senha meio desnecessária que resolvi anotar just in case, a conchinha;
. na parte das moedas, um alfinete daqueles de fralda, pequenininho, uma de dez centavos e não guardava mais a moeda de um centavo da qual não vou me livrar e o centavo argentino que ganhei, que me dão sorte, porque quero que deem.

Enfim, me senti meio burguesa na troca das carteiras. Meio velha, também, visto que agora não é mais uma carteira pequena e infantil da Pucca que já tava se desfazendo (a própria Pucca em breve não seria mais reconhecida) e sim uma grande de adulto e só.

Eu tinha uma consideração final a fazer que não tinha nada a ver com o resto, mas esqueci. Droga. Isso que dá ficar enrolando pra escrever. Ou não. Que seja. Eu dei um beijinho na testa da Pucca, gostava muito dela.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

pseuda

Tive uma epifania, mas não anotei e acabei esquecendo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Infindo

A mulher não deu nem bom dia. A ninguém. Parou na minha frente e pediu um cigarro. Eu a olhei com um certo desprezo e não lhe daria nada, se, segundos antes, eu não a tivesse visto dançar na calçada em frente às portas de vai-e-vem do edifício. Dançava como louca, como se tivesse o demônio no corpo e acompanhasse um ritmo desconhecido de nosso mundo.
Afinal, eu lhe dei o cigarro. Ela tirou um isqueiro da bolsa e o acendeu só pela metade. Reparando nisso, ela começa a tentar queimá-lo corretamente. Sem êxito. Eu tiro meu isqueiro do bolso e acendo-o todo para ela, que não me dá nem um sorriso, a maldita.
Sento-me à mesa de novo. Mesa que é só minha, muito minha, não divido com ninguém. Ela agora pergunta porque me sento aqui, no térreo; mais precisamente no saguão de entrada, de costas para o balcão de informações. E antes que eu possa responder, pergunta ainda se eu sou mesmo um funcionário do estabelecimento.
'Claro que sou', digo. A mesa tem a plaquinha com meu nome. Eu só sento aqui porque me deixam fumar. O tempo todo. E lá em cima, em qualquer sala, eu não poderia, teria que ficar descendo e subindo.
Ela me olha de uma maneira estranha, porque não sabe se acredita ou não na minha resposta. Mas tenta disfarçar; faz um 'ah', como se assim demonstrasse que compreendeu tudo e pergunta se não é um exagero. Sabe, desistir do conforto de uma sala só pelos cigarros, se não é importância demais dada a eles, ou se não são cigarros demais. Eu lhe mostro meu cinzeiro. Fundo, largo e abarrotado. Às onze e vinte e sete da manhã. O rosto dela pareceu mais atordoado dessa vez e ela nem se preocupou em disfarçar. Pareceu ter um pouco de nojo. Olhou para o cigarro que lhe dei e que se fumava sozinho; ela não o levava à boca há mais de um minuto, Ofereci-lhe o cinzeiro, apontei-lhe a cadeira ao lado da minha


(Ainda em) Niterói, 2 de setembro do 2010.

sábado, 9 de outubro de 2010

Apenas Fumaça

Eu consigo ver nitidamente o dia em que você me deixa. Ele começa com bom-dia, café e um cigarro. Beijinho e eu te amo. Você sai, eu fico mais um pouco, porque trabalho perto. Faço as palavras cruzadas do jornal, que é meu hobby de velha, como você diz. Ou dizia. Ou diria.
No seu trabalho, alguns fumam, você não. Ainda é muito novo lá, o chefe não aprovaria, seria uma afronta. Mas você morre de vontade. Apalpa os bolsos involuntariamente, só pra sentir o maço pela metade, o isqueiro. Nesse momento, não vê ninguém à sua volta; só existe tu e os teus cigarros. De repente, lembra de mim, com carinho, e sem saber que será a última vez. Fica pensando em como minhas covinhas se fazem nítidas quando trago, em meu sorriso ao cobri-lo de fumaça. Sorri. Nem nota que é observado.
Ao sair, em passos lentos, porém decididos, ela te chama pelo nome. Você se vira e a vê de verdade pela primeira vez. Pergunta se tens isqueiro e ri. É bonita, mais alta que eu, mais branca que eu, os cabelos mais compridos que os meus, pintados em algum tom de ruivo que lhe cai bem e que nunca ficará bom em mim.
Você tira um cigarro do maço e põe na boca, ela te acompanha. Acende primeiro o dela, depois o seu. Ela afirma convictamente que sempre soube que você fumava, era clara a sua expressão quando via os outros. Achava bonito você não fumar lá dentro do trabalho, ela sempre fumava escondida e já fora pega algumas vezes. Você dá um sorrisinho e esse é o sinal de que começa a gostar dela.
A partir desse momento, você não está mais comigo. Não em pensamento. Uma semana depois, nem fisicamente.
Agora é ela quem ocupa o outro lado da cama e saem juntos pro emprego. Ela fuma como ninguém.
Minto,_você pára pra pensar_ela não fuma mais do que eu. E por um breve instante, lembra de como costumava encostar o nariz bem de leve na ponta de meus dedos e sentir o cheiro do cigarro. E de que, ao fazê-lo, cerrava os olhos e virava fumaça.
Mas foi só por um instante, ela chama a sua atenção para algo que acontece do lado de fora do ônibus. Então você tenta lembrar do cheiro das mãos dela. É sempre doce, elas nunca se assemelham a cigarro ou fumaça; ela tem compulsão por um hidratante que tira todo o cheiro 'bom'.
Daí em diante, você repara o quanto ela é artificial. Que os cabelos são alisados, a maquiagem uma obrigação, a comida é sempre salada sem graça, nunca há espaço para um brigadeiro, as unhas são postiças, a risada forçada. Não que isso seja ruim, ela é linda, encantadora em tantos aspectos. Mas te atormenta o pensamento de que um dia, quando você pegar no sono, ela vire para o outro lado e tire os dentes e os coloque num copo com água. A situação piora: quando trepam, você só pensa se o orgasmo dela é falso ou verdadeiro. Ela é realmente uma boa atriz.
O tempo vai passar, você vai envelhecer um pouco, se acostumar com ela e voltar a dormir em paz. E só então ela vai esperar você pegar no sono, virar para o lado, abrir um zíper que vai da cabeça aos pés e sair da sua fantasia de outra. Nesse dia, quem vai dormir ao seu lado serei eu.


Niterói, algum dia entre 8 e 16 de setembro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu Sou a Pessoa Mais Insensível do Mundo

E mereço uns tapas de vez em quando, pena que ninguém leve isso a sério ou a cabo.


Eu não sei se são os homens, ou se são esses pseudo-homens-gays com quem me relaciono, mas me estão cansando a beleza. A tal beleza que eles mesmo dizem que eu tenho. Eu não vou discutir isso.

Olha,


E quando eu digo ‘olha’, quero que olhe mesmo, não precisa ser no fundo dos olhos, mas pelo menos vira pra mim e pra minha expressão, que talvez nem seja compreendida.


eu realmente sinto muito. Tento me fazer de adulta e acabo falando merda; eu sou uma criancinha. Não me desculpa não, que a culpa é toda minha. Mas entende que eu sinto muito, de verdade. E que essa insensibilidade passa, é só eu conseguir me fazer ouvir. O problema é que isso depende de você. Aí sim, me desculpe, a culpa não é toda minha, é difícil demais interagir quando a outra pessoa não demonstra compreensão.