ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Personagem

Bom mesmo é ser personagem. Alguém te percebe as ações e reações, te cuida com todo o carinho, te cria. Alguém te escreve. Tudo bem que esse mesmo alguém te põe palavras na boca como se fossem suas, achando que tem todo o direito. Você mastiga tudinho e depois bota pra fora. E ainda leva a culpa se desagrada alguém, afinal, foi você quem disse, da forma que disse. Mas no fundo sabe que a culpa é de quem te fez, que te criou assim, desbocado. Que não sabe a hora certa pra falar nada. Nem pra fazer. Na verdade, você não sabe nada. Você é o seu autor. Você é o seu leitor. O seu interlocutor. Seu escutador. Seu sentidor. Você é tudo, menos você mesmo. Maravilhoso ser personagem. Tão cheio de ideias, mas na verdade livre delas, livre de qualquer responsabilidade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Me perdi (e o pronome vai ficar onde está)

Queria morrer de amor. É poético, ao menos. As pessoas diriam assim: "olha, aquela menina morreu de amor; que bonito". Mas não dirão; o mais provável é que nem digam nada; tragédias sem amor não são tragédias. Serei comédia eterna. Comédia boba, pouco provável de risos sinceros, já que a comediante soa tão pouco autêntica.
A tal comediante nasceu pra fazer drama, mas não tem coragem pra tal ventura. Então passa os dias a vomitar emoções, de forma camuflada (achando que engana alguém), que não satisfazem nem a ela, nem ao público.
Até que um dia se dê conta de que amor mesmo sempre teve. E não morra. Relapsa que era (e ainda é) não notava nem cinquenta dançarinos de rumba debaixo de seu nariz (um pouco acima da boca. O espaço é pequeno, mas eles também são contorcionistas). Agora está livre, ama. Mas o amor é transitivo direto; quem ama, ama alguém. Então não é tão livre assim. Não se pode amar simplesmente, tem de haver um complemento. Complemento esse muito complicado, nem sempre corresponde. E não pode ser indireto, não podem haver dúvidas, o que acaba tornando-o indigesto. No fim das contas morrer de amor acaba virando uma piada que todos cometem. A cada hora, a cada vida, a cada intervalo entre um espetáculo e outro, para que nem dê tempo dos atores tomarem uma água. A cada vírgula o amor se torna mais virulento e se espalha, ataca, mata. E não te deixa morrer, agora que arrumou um sentido (mesmo que banal) pra vida.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Hemorragia de palavras ou Sobre o que eu não acredito

A Prolixidade, em busca de uma posição mais sintética, emudece. Extremista como só ela, não se contenta com o meio termo. Daí então, só se permite falar para si própria. E no meio desse falatório egoísta, encontra-se às voltas com sua infância, onde ainda não era prolixa, apenas chatinha, porém enquanto todas as outras características ainda eram tão pequenas, ela já se mostrava grande e desenvolvida demais para a idade. Depara-se com a paciência, velha conhecida. O que a pobre Prolixidade não sabia é que a antiga amiga a estimava por demais. Na verdade, sempre teve grande paixão por ela. Paixão esta que nunca foi revelada, pois a Paciência é tímida que só ela. A Paciência escuta sempre, raramente se expõe. Diferentemente da Prolixidade, que nunca é finita, tem sempre o que argumentar. Por isso a paixão. Uma crê que completa a outra e vice-versa. A pena é que a outra nunca soube de tal consideração. E agora, está muda; estão iguais, Prolixidade e Paciência. Não trocam palavras, apenas se olham. Até que a mais tímida e menos verborrágica toma a coragem que nunca teve e externa-se. A outra, ainda calada, sente-se exulta como nunca antes e descobre como pode ser gratificante ouvir e decide juntar-se à outra, por pura vaidade e egoísmo. E assim permanecem juntas, com suas naturezas postas à prova; trocam-se de significado.

segunda-feira, 30 de março de 2009

É só que...

Não quero que isso aqui fique vazio.

"Todo dia meu coração sai do lugar."

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Só pela falta do que fazer causada pela falta de voz

Pequena observação inicial: a perda parcial da voz pode acarretar em uma espécie de broxância crescente.


Nunca lembro de meus sonhos:

1- Sonhei que estava de volta às aulas e no primeiro dia, os professores tinham que cozinhar parar os alunos. E o principal: a comida tinha que ficar boa. O problema é que os ingredientes eram limitados, então o segundo professor do dia já penava pela falta de certas essencialidades, e tinha que inventar algo novo com o que lhe restara. Eu ainda tentava ajudá-lo, mas não surtia grande efeito.

2- Sonhei que ia a um restaurante em que geralmente vou com meus pais, porém dessa vez fui sozinha. Na fila para pagar, encontrei alguns vizinhos que, além de perguntarem se o estabelecimento aceitava um certo cartão de crédito, ainda quiseram saber se os donos comercializavam ácido (sim, esse mesmo). E vejam que coincidência, não é que o carregamento tinha acabado de chegar! Resultado: meus vizinhos se entupiram de drogas e eu resolvi comprar umazinha pra experimentar. Tive problemas na hora de pagar; a mulher não acreditava na idade que eu dizia ter, mas mesmo assim, acabou vendendo. Passei o resto do sonho indo para a escola ajudar professores a cozinhar (super irônico) e me remoendo por dentro, por não conseguir tomar o ácido, remorso por ter mentido a idade. Não me lembro bem, mas acho que no final acabei comprando mais e mais e mais e mais e tomando tudo de uma vez. Acho que morri. Mas não tenho certeza; nunca lembro dos meus sonhos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O que eu entendo por ser meu é tudo o que eu posso te dar. O meu amor, mas primeiro eu, preciso saber se você vai gostar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Não que eu tenha crises de tamanho. Gosto dos meus 1,57m. Mas ultimamente não estou cabendo mais. Me sinto apertada, esmagada, dentro de mim mesma. É meio difícil de explicar. É como se o tecido estivesse esgarçando, como uma calça jeans velha que você usa muito; ela vai perdendo a cor e as costuras vão cedendo aos poucos. Até que um belo dia você veste e ela abre até