ele pensa e não diz
onde tem muita água
tudo é feliz.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Concentrava toda sua raiva nos compulsivos cliques com a mão direita. Eram diariamente milhares de agressões distribuídas quase que silenciosamente. Naquele quarto nada acontecia, só podia-se perceber que ao fechar dos olhos, o ar pesada demais, o silêncio exalava um gosto amargo, próprio da recusa irritante à garganta do que se precisa como condição para a sobrevivência.
Desejava não ter o que escrever, visto que cada vez mais as folhas de sua agenda inutilizada faziam papel de curativo. Sangrava intermitente, apenas por estar viva e fértil. Mas a alguns olhos, seu ferimento se apresentava como doença.
Queria ver no sangue, que é morte, vida. Queria simplesmente optar pela sua condição. Talvez desejasse viver morta, sem demais preocupações que recaem somente àqueles que por natureza, só podem gozar do abate gradativo e sôfrego.
Mas era tarde, a essa altura, já só sentia. E tanto... 


(acho que vem a calhar)

4 comentários:

caio k disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
chayenne f. disse...

porra caralho, odeio comentários removidos.

Ferreira, Lai disse...

Não fui eu!

E também odeio. Malditos.

caio k disse...

gente fui eu. é que eu comentei, mas foi no texto errado. eu lia mais de um texto, e quando fui comentar, troquei tudo. aí, apaguei, e nem comentei em algum dos textos.